
04/07 - 10:08
Redação iG Música
“Existe uma visão preconceituosa e distorcida da música baiana. O carnaval permite muita coisa. Já cantei Led Zeppelin, Caetano em cima de trio elétrico”. Claudia Leitte tem razão. O carnava baiano há muito mescla em sua trilha versões de músicas de estilos diferentes do axé. Claudia não é a primeira a fazer isso e ela sabe disso.
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Constantemente questionada sobre uma suposta rivalidade com Ivete Sangalo, a loira manifesta sua admiração pela “rival” e se mostra consciente do fato de pertencer a uma linhagem de cantoras populares baianas. “Não sou tão próxima de Ivete, mas isso não impede que eu tenha admiração por ela, assim como tenho por Margareth Menezes e por Daniela Mercury”.
Daniela, inclusive, é uma das convidadas no espetáculo gravado em fevereiro na praia de Copacabana. “Ela é muito presente na minha vida, me ajuda, me dá conselhos, me põe pra cima”, comenta a cantora sobre a amiga com quem dividiu os microfones em “Cidade Elétrica”, e pioneira nas tentativas de desestereotipar os sons de Salvador.
A ex-vocalista do Babado Novo parece contente com a nova fase de sua carreira. Se emocionou ao entrar na sala da coletiva de lançamento de seu primeiro trabalho solo, e assistir a trechos do DVD exibidos no telão, enquanto posava para os fotógrafos. “Ajudei a editar o material, mas não tinha visto totalmente finalizado ainda. Senti muita emoção vendo tudo pronto”, comenta por ter derramado algumas lágrimas.
Dentre as imagens apresentadas, estava o momento em que Claudia canta “Pássaros” (composição de Mikael Mutti, que também é arranjador do espetáculo) e não consegue conter o choro. “Fiquei feliz e emocionada por cantá-la, sentindo cada palavra. Essa música diz muito sobre mim, sobre esta nova fase. Eu quero voar alto e ninguém vai me segurar”.
Além de acompanhar a seleção das imagens e escolher o repertório ela própria, Claudia também é co-responsável pelos figurinos que usa nos shows (assinados por por Yan Acioli e Walério Araujo). A mudança de postura de vocalista de uma banda para artista solo dá permissão para que ela imponha mais a sua personalidade no trabalho. “A diferença é que agora sou eu quem decido, é a minha cara, o meu nome. Eles queriam tocar uma música do primeiro disco do Babado Novo, “Chaveco”, que eu não gosto. E não tocamos”.
Apesar de ainda haver muito de Babado Novo e clima de trio elétrico predominando no trabalho da cantora, ela já esboça uma atitude que aponta em rumos mais pop. Mistura ritmos, faz uma versão reggae de “Dyer Maker”, do Led Zeppelim, e recebe artistas de fora do universo carnavalesco (como Wando cantando o hit“Fogo e Paixão”; Gabriel, o Pensador inserindo rap em “Extravasa”; e Badauí, do CPM22, relembrando a parceria já feita em especial da MTV e botando rock no refrão de “Bola de Sabão”). Tudo isso num enorme palco, que divide com dançarinos durante o show. As imagens pendem mais para o show de uma diva pop tropical do que para uma micareta gigante.
Claudia, que cresceu escutando de tudo – “de Wando a Legião Urbana, Caetano e Paul McCartney” –, ainda não tem planos definidos para seus próximos passos, mas garante que não abandonará o estilo que a consagrou. “Não pretendo deixar de cantar axé. Já cheguei a cantar 12 horas num trio elétrico, tenho um prazer absurdo nisso”.
Ela apresenta sua nova fase em show no Credicard Hall, nesta sexta-feira, dia 4 de julho. “Não gosto de ficar repetindo as coisas, então dei uma incrementada. O repertório e o figurino serão diferentes dos do DVD. Vai ser um show especial”.
Milhares de fãs
A cantora reserva espaço especial para os fãs em sua vida. Mantém na internet diversos canais para se comunicar com eles. Em seu blog, compartilha experiências e até dá conselhos a seus admiradores. “Sou uma cidadã e como artista eu tento passar algo pras pessoas, seja inspirando-as com o que tenho de melhor ou compartilhando experiências.” De sua comunidade no Orkut, tira idéias para os show, inclusive o repertório deste espetáculo, que contou com a presença de 700 mil pessoas na praia de Copacabana.
A atenção que dispensa a eles é recompensada em constantes manifestações de carinho. Ela conta que na entrega do prêmio Multishow, apesar de não ter levado o troféu de melhor cantora (que foi para Ivete Sangalo), ficou emocionada com os aplausos e cumprimentos que recebeu na rua, a caminho do Teatro Municipal do Rio. “Eles vêem em mim alguma coisa deles; querem me prestigiar, me ver vencer”.
Com três datas agendadas na Europa, em outubro (dias 3, 4 e 5 ela passa por Lisboa, Zurique e Londres, respectivamente) ela diz ter “sede de aprender e prosperar”. Shows nos Estados Unidos também estão nos planos da cantora, que já esteve fora do país com o Babado Novo e conta que a recepção é sempre boa. “A comunidade brasileira que vai aos shows ajuda muito, mas os gringos, apesar da falta de ritmo, também têm uma alegria danada”.
Serviço
Lançamento do CD/DVD Ao Vivo em Copacabana
Sexta-feira, 4 de julho de 2008, 22h
Credicard Hall: Av. das Nações Unidas, 17955, São Paulo – SP
Preços:
Platéia Superior – R$ 90
Pista – R$ 120
Camarote Superior 2 – 200
Camarote Superior 1 – 250
(meia-entrada mediante a apresentação de documentos e limitada a 30% da capacidade da casa)
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